Descubra como a geração descentralizada de energia pode ser maximizada através do armazenamento

O compromisso pela sustentabilidade e transição energética, associado ao aumento da volatilidade dos preços de energia, tem impulsionado a procura pela produção de energia renovável descentralizada para autoconsumo. Além dos indiscutíveis benefícios económicos e ambientais, esta abordagem permite aos consumidores produzirem uma parte significativa da sua própria energia, conferindo autonomia no uso e à gestão da energia consumida.

Contudo, devido à intermitência da geração descentralizada renovável, a quantidade de energia produzida nem sempre corresponde à procura ou consumo em cada momento. Este efeito resulta em excedentes de produção que nem sempre são aproveitados ou valorizados da melhor forma, o que reduz a eficiência energética do sistema.

Neste contexto, as baterias desempenham um papel fundamental para maximizar o autoconsumo. Através do armazenamento da energia excedente, as baterias tornam possível o consumo dessa energia em momentos em que a geração é insuficiente, maximizando a eficiência energética e a autonomia do consumidor.

No entanto, para que os projetos de produção renovável com baterias sejam economicamente viáveis, é necessário a utilização de estratégias tais como arbitragem de preço de energia e redução de picos de consumo. Estas estratégias visam uma gestão inteligente dos recursos energéticos, que maximize a eficiência e reduza os custos dos consumidores.

Para melhor compreender estas estratégias, é importante conhecer os vários componentes da fatura elétrica. Em Portugal, por exemplo, esta fatura tem pelo menos dois componentes principais: custos com energia ativa e tarifas do uso de rede, como a Potência Contratada e a Potência Hora de Ponta.

A estratégia de arbitragem consiste em armazenar energia quando o preço da energia para carregamento é inferior, geralmente em Super Vazio ou durante a madrugada, para a utilizar quando o custo da energia é superior, geralmente em Ponta ou ao fim do dia. Isto significa que a bateria pode carregar da rede elétrica quando se prevê que o excedente de energia renovável não é suficiente esgotar a capacidade total da bateria, ou quando o ganho económico de injetar este excedente para a rede é superior. A estratégia de arbitragem tira proveito das flutuações do preço para tornar o uso da energia mais eficiente e reduzir os custos de eletricidade. Em resumo, é uma forma de aproveitar os momentos em que a energia é mais barata e usar quando ela está mais cara, maximizando o proveito económico.

O impacto económico da estratégia de arbitragem será mais evidente à medida que a penetração da geração de energia solar na rede aumentar. Com uma maior quantidade de capacidade solar instalada no sistema, é esperado que ocorra uma redução significativa no preço da energia durante as horas de maior produção solar. Este fenómeno, conhecido por canibalização solar, resultará na desvalorização significativa do excedente de energia que, na ausência de capacidade de armazenamento, é injetado na rede a valores muito baixos.

Já a estratégia de redução de picos de consumo envolve o uso da energia armazenada para redução de picos de consumo ou durante o período de Ponta permitindo, para além da redução do custo com energia ativa, a redução da Potência Contrata e/ou da Potência Hora de Ponta. Ao evitar estes consumos da rede, os projetos de produção renovável com baterias apresentam uma redução mais expressiva da fatura de energia e, como tal, uma otimização do uso da energia gerada a partir de fontes renováveis.

Em suma, as baterias desempenham um papel crucial na maximização da eficiência energética em projetos de produção renovável descentralizada. Ao permitir o armazenamento e o uso estratégico da energia gerada, as baterias reduzem os custos globais de energia, aumentam a independência da rede elétrica e contribuem para a sustentabilidade. Estratégias como arbitragem e redução de consumos em períodos de Ponta otimizam o desempenho económico destes projetos, tornando-os ainda mais viáveis e atrativos. Com as metas europeias de aumento da geração descentralizada , espera-se que o uso de baterias nestes projetos cresça de forma significativa nos próximos anos, impulsionando a transição energética.

Artigo redigido por Bruno Lamas, New Energy Projects Manager @ Greenvolt Group

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